domingo, 11 de outubro de 2009

"Corremos antes que o tempo levasse nossos sonhos embora"

Olha para o céu como se não pudesse alcançá-lo. Quem inseriu essa certeza dentro de ti? E o que vem depois é ilusão, sonho ou verdade apenas? Certezas que se distorcem, escorrem e correm pelo ralo.
E quanto aqueles dias em que o céu pareceu mais próximo? Você precisa subir na mais alta das montanhas para sentir liberdade ou as nuvens à um palmo? E quanto aquele prédio distante com pessoas transitando rapidamente?

Havia uma menina que segurava um balão. Caminhava com passos curtos sem largar o objeto, enquanto toda sorte de pessoas a rodeava. Um vento forte atingiu-lhe a face, no mesmo instante em que ela cessara os passos. Os cabelos balançaram na mesma sintonia do vestido... O balão escapou-lhe da mão, de repente, e subiu para encontrar o além - tão distante. Então o mundo parou.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

' Mova-se e você estará movendo o universo.

As cordas imaginárias parecem estar mais apertadas há um tempo. Eu abri a porta e mergulhei o mais fundo que podia, de uma só vez, naquele "lá" antes tão distante e distinto. Tudo tem me consumido e de repente eu me pego simplesmente em inércia, mesmo que não parando por um segundo. É uma inércia diferente, afinal. Coisa que não posso controlar. Quero que os movimentos existam, quero agarrar aquele céu tão próximo e ao mesmo tempo tão... impossível?
Aqueles velhos sonhos afloraram novamente. As grades de ferro cairam e laços mostraram-se no mesmo instante. Como lutar contra tudo isso? Como lutar contra o pêndulo gigante e contra o maldito tic tac que ecoa sem parar?

Você deveriam sentir remorso em negar a liberdade!
Enquanto eu sinto pena - de todos; de vocês e de mim -, enquanto esse céu continua estendido acima das nossas cabeças mesquinhamente pensantes e tão vazias. E de longe alguém sente raiva por ter concedido tanto. Tanto que nem é percebido. Tanto que nem é desfrutado. Tanto...


terça-feira, 29 de setembro de 2009

' Invisível

'Aquela garota que ia mudar o mundo' ainda vive dentro dela. Caminha lutando contra muros imaginários e grades de ferro - impostas pelas pessoas ao seu redor.
"Eu só quero respirar!" - gritou na chuva, enquanto dava passos pequenos e desajeitados. Balançou a cabeça, comprimiu os olhos. Lágrimas misturaram-se às gotas do céu.
O sonho de caminhar de noite para ver a lua...
O sonho de conhecer o mundo...
Talvez seu anjo da guarda tenha chegado para realizar os sonhos de criança que foram trancados à sete chaves.
Com suas grandes asas invisíveis.
Com seu sorriso bobo.
...
Ela sorriu ao vê-lo. Correu o mais rápido que pôde para seus braços, enquanto a chuva se intensificava. O medo se foi. Seu coração palpitou e depois quis sair boca afora. As lágrimas cessaram. As grades de ferro cederam e os muros imaginários vieram abaixo.
Ele sorriu desajeitado e observou-a atentamente, fazendo-a se sentir com dez anos de idade novamente. Ela esboçou um sorriso gigante.
O mundo parou de girar.
A chuva decidiu não mais cair.
A rua deserta tornou-se uma fotografia antiga.
"Congele o tempo, por favor!"
Então tudo se resumiu àquele momento. A rua, o fim de tarde... E não mais que de repente, o mundo que se resumira àquele momento voltou a ser maior do que os dois jamais puderam imaginr. Duas silhuetas caminhavam de mãos dadas e com um par de sorrisos bobos rumo ao pôr-do-sol.

... Ela não sabia, mas suas asas invisíveis começariam a crescer, enquanto ele, apenas sempre soubera que seria assim.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Qual cena vem na sua cabeça quando você ouve uma música?

Eu poso ver pessoas sorrindo com seus sorrisos falsos, em meio a uma cidade caótica e uma rotina maçante. Tons de cinza por todo lado... Um sorriso cínico, uma flor despenca ao chão, um carro passa numa poça d'água que espirra num transeunte desatento. E depois, o mesmo carro de dono mau-humorado com o próprio casamento atropela a garota de cabelos cor de fogo que acendia mais um cigarro para esquecer do namorado.
Os prédios refletem o céu em sua cor mais pura. O céu de baunilha se estende pelas superfícies espelhadas como num espelho que distorce a realidade. Mas a realidade continua bem aqui, porque estão todos vivos... As mesmas pessoas com sorrisos falsos tentam a todo momento resgatar um passado aparentemente feliz ou estão abitoladas com um objetivo de vida, esquecendo-se da realidade bem ali.
Uma mãe sufoca enquanto procura uma forma de alimentar seu filho, um médico faz uma pausa para um café, uma secretária dorme com seu chefe por dinheiro. Estão todos vivendo no modo automático, cada um com sua vida...
Enquanto a garota sorri por encontrar tudo isso num pedacinho do mundo. Ela tem um sonho... Seria possível conhecer o mundo inteiro em uma vida? Seria possível encantar o mundo inteiro com uma palavra? Ela tem esperança...

Malditas sejam as grades que limitam o desenvolvimento de cenas. Desgraçadas sejam as garras que dilaceram seus sonhos. Mas benditas sejam as asas que lhe fazem voar - ainda que ela não possa perceber. Suas asas estão crescendo enquanto ela caminha, faminta por mais pessoas, cores, lugares, dias, surpresas e por fim...palavras.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

...

A enfermeira com óculos ligeiramente tortos me observou com uma expressão mau-humorada.

- Você é a próxima... - resmungou com a voz fina e eu me coloquei de pé,
dirigindo-me até a sala à minha frente. Entrei e fechei a porta atrás de mim. Me sentei na frente do médico com cara de doido, que segurava na mão uma caneta e sorria de uma forma desconcertada. O encarei por longos segundos enquanto ele sorria e, mesmo com os olhos fixos na minha direção, parecia estar há quilômetros de distância dali. Tossi naturalmente e ele pareceu voltar a razão, piscando algumas vezes e desfazendo o sorriso.

- Então, me diga qual é o seu problema mocinha... - sua voz grave não combinava com seu corpo ou suas feições.

- Eu tenho uma dor...

- Onde?

- Bem aqui! - disse, colocando uma das mãos no meu peito, no lugar onde meu coração batia acelerado e desregulado.

- Hmmm. - resmungou o outro. - Conte-me melhor sobre isso... - disse, apertando um botão na caneta que segurava, o que fez acender uma luzinha irritante na ponta desta. O médico inclinou o corpo pra frente e apontou a luz para os meus olhos, causando-me um leve incômodo.

Tentei ignorar aquilo e vendo que ele não iria parar, comecei:
- Bem... é mais como um aperto! Ele se intensifica quando jogo minha atenção diretamente nele... isso vai me sufocando até que eu me irrito com isso e tento respirar fundo pra ver se consigo aliviar a sensação. Mas por mais que eu respire, não passa. Às vezes irrita tanto e dói tanto, tudo ao mesmo tempo, que eu tenho vontade de chorar... Choro por longos minutos e depois não consigo entender porque estava chorando...

- Com que frequência isso ocorre? - ele perguntou, finalmente desistindo da luz nos meus olhos e recostando-se novamente na cadeira.

- De duas semanas pra cá... o tempo todo!

- Certo! - ele abaixou a cabeça e abriu uma gaveta na mesa. Revirou por um tempo e depois me estendeu uma cartela de comprimidos cor-de-rosa. - Tome um por dia, sempre no mesmo horário...

- Isso vai resolver o meu problema, doutor? - perguntei, pegando a cartela e guardando-a na bolsa rapidamente.

- Sim, vai resolver...

- Então não sentirei mais esse aperto?

- Não...

- Nem as queimações?

- Também não...

- Não irei me revoltar, nem chorar?

- Não! - ele respondeu com um sorriso, por fim.

Me levantei e atravessei a sala em direção à porta. Girei a maçaneta e estava prestes a sair quando algo me intrigou. - Doutor, o que eu tenho afinal?

- Você sofre de amor...

domingo, 30 de agosto de 2009

' Necessidade de falar

Eu sou sensível, mas tento provar a mim mesma que sou forte. Odeio chorar, mesmo se estiver sozinha, e admito: sou medrosa. Sei me fingir de boba e apesar de desajeitada e avoada consigo entender mais do que sabem que consigo, nos momentos certos. Às vezes eu realmente acho que contos de fada podem ser reais... levo um tapa na cara toda vez que lembro da realidade!
Eu prezo bem mais uma amizade do que um amor, talvez porque tenha me forçado a lidar mais com a primeira, deixando minha insegurança e todo o meu medo no segundo. Às vezes eu só queria conseguir me preocupar menos com as coisas e levar a vida numa boa, sem neuras... mas eu sou ótima em complicar até o mais simples. Necessito fazer drama primeiro, pra depois levantar a cabeça e seguir em frente. Eu pareço uma criança que faz birra quando algo em que apostava muito não dá certo.
Tenho raiva de gente não-esclarecida e apesar de não me expressar bem com palavras de fato, eu odeio quem simplesmente se faz de desentendido e guarda mágoas pra si... E odeio mais ainda quando eu não consigo dizer algo que julgo necessário. Acumular palavras dentro de mim é um veneno... Não é a toa que sou tagarela e por falar demais digo por diversas vezes o desnecessário. Tem dias que tudo me faz chorar e tem pessoas que só me fazem sorrir.
Ainda gosto de quem me desafia e até mesmo situações inesperadas. Dá vontade de fugir delas, mas eu tento respirar fundo e prosseguir, nem que seja pra olhar pra trás e dizer "Você foi estúpida quanto a isso!". Sou impulsiva e só penso depois de falar. Talvez isso nunca mude, não importa quantas vezes eu passe maus bocados por isso...
Eu sou viciada em pessoas. Adoro observar a cidade com gente passando de um lado pro outro... todos diferentes, cada um na sua própria vida, como se cada pessoa daquelas fosse deslocada do mundo, quando na verdade são elas parte de um todo e eu sou deslocada, naquela cena. É bom observar o caminho pela janela do ônibus e com fone de ouvido... É bom ver gente, subir no palco e suspirar por alguém.
É incrível como tem momentos que tudo perde o sentido e parece que o amanhã não será tão prazeroso... Confusão e lágrimas aparecem e depois eu consigo sorrir de novo, com essas lembranças e coisas nostalgicas que moram em mim e me fazem 'mutar'...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

' life


Você se lembra de tudo que deixou pra trás?
Tudo que adiou e tudo que substituiu... Quantos passos a vida te obrigou a dar em falso? Com quantas pessoas em ocasiões diferentes você aprendeu a ser fria? Foi isso que te ensinou a ser forte... Você caminha com aquele mesmo brilho no olhar? Consegue prender seus olhos no céu azul por quanto tempo? Quantos sonhos desistiu de sonhar e quantos tapas na cara levou para aprender que não pode controlar tudo?
O medo, a saudade, a nostalgia e a angústia ainda estão aí dentro... Por que ainda se abate se sabe que é apenas a vida fazendo seu trabalho?
...
"Yume wa kanaimashita ka?"
"Seus sonhos se tornaram realidade?"
...

Disposta a levar tapa na cara, agora mais vezes do que antes, um pouco mais pessimista e com um tanto menos de esperança no coração... De repente tudo pôde ter sentido novamente. Será que dessa vez, se eu gritar o seu nome você poderá me escutar? Você consegue ouvir o meu grito desesperado chamando por você? Só queria continuar acreditando que sim...

"Os dias que vivi até hoje me fizeram como sou . Apenas por não ser fácil continuo vivendo!"