sexta-feira, 13 de novembro de 2009

' Open your eyes

Olhos famintos
Olhos lascíveis
Olhos que brilham
(de alegria, de dor de prazer)
Olhos que nõ vivem, olhos de vidro.

Ela só queria que seus olhos fossem notados devido a sua intensidade.
Olhos que veem a beleza oculta.
Olhos hipnotizantes,
que queriam ser lembrados.

Observava tudo que acontecia do lado de fora da janela do ônibus.
Suavidade, atenção.
Por que as pessoas não enxergam?
Por que elas não respiram?
Olhos tristes, olhos com esperança...

A rosa caiu no chão.
O barulho foi ensurdecedor.
Aqueles olhos só queriam enxergar além...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Dói?

Talvez eu tivesse muito a dizer, não fosse essa sensação de "inexplicável" ou esse tormento de pensamentos e sentimentos batendo na mesma tecla. Me surpreendo ao ver como é grande a ironia e como ela é ainda maior da minha parte. Porque eu adoro ser irônica. Na verdade a ironia subliminar, em coisas distintas, sempre me fez rir de uma forma estranha. Então eu continuo rindo. É uma risada acompanhada de um coquetel de confusões... Chega a ser patético. E no fim, é apenas irônico de novo. Não sei mais se 'ser curinga' é bom ou ruim, não sei em que posição ou distância estou atualmente... Vou continuar deixando o mundo me levar, acreditando nesse não-acaso de tudo e ver onde tudo vai parar, se é que vai, enfim.

"Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz

Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais"

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

E se não escrevo, não vivo
Respiro.
Sou casca vazia Inútil
Não sinto
Repito.
Todo dia a mesma coisa sem parar
Curinga? Não.
Boneca de porcelana de pior qualidade
Quebrante, enfim.

.

Não ter sobre o que reclamar, por um tempo relativo, é demasiado estranho.
Alegrias, risos e brilhos nos olhos.
A realidade, quem poderia imaginar, mudou de fato.
Tudo se lançou ao meu acaso em mesmo tempo.
E assim me apego em vozes, músicas, lágrimas alheias, sentimentos que nunca foram meus misturados aos que eu tinha guardado lá bem fundo... Junto tudo isso e crio uma angústia que não cura.

Mas eis que a rotina me cansa e me derruba, pronta como uma rasteira.
Quanto mais eu tento me soltar, mais presa estou.
Acho que reencontrei enfim aquele pedacinho de mim que queria contemplar.
Contemplo-o então, desejando do fundo do âmago que ele não suma mais.
E feliz eu me deito e durmo e sonho e acordo de novo para algo não mais novo, então.

domingo, 11 de outubro de 2009

' Só meu.

Andar descalça
e na chuva sem guarda-chuva.
Correr até qualquer lugar
devorar um chocolate, sentada na grama.
Observar a silhueta das pessoas que sobem a ponte sob o sol poente.

O mundo rodou tanto que não pude acompanhar.
Meus pensamentos fugiram
e quando voltei estava sorrindo.

"Corremos antes que o tempo levasse nossos sonhos embora"

Olha para o céu como se não pudesse alcançá-lo. Quem inseriu essa certeza dentro de ti? E o que vem depois é ilusão, sonho ou verdade apenas? Certezas que se distorcem, escorrem e correm pelo ralo.
E quanto aqueles dias em que o céu pareceu mais próximo? Você precisa subir na mais alta das montanhas para sentir liberdade ou as nuvens à um palmo? E quanto aquele prédio distante com pessoas transitando rapidamente?

Havia uma menina que segurava um balão. Caminhava com passos curtos sem largar o objeto, enquanto toda sorte de pessoas a rodeava. Um vento forte atingiu-lhe a face, no mesmo instante em que ela cessara os passos. Os cabelos balançaram na mesma sintonia do vestido... O balão escapou-lhe da mão, de repente, e subiu para encontrar o além - tão distante. Então o mundo parou.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

' Mova-se e você estará movendo o universo.

As cordas imaginárias parecem estar mais apertadas há um tempo. Eu abri a porta e mergulhei o mais fundo que podia, de uma só vez, naquele "lá" antes tão distante e distinto. Tudo tem me consumido e de repente eu me pego simplesmente em inércia, mesmo que não parando por um segundo. É uma inércia diferente, afinal. Coisa que não posso controlar. Quero que os movimentos existam, quero agarrar aquele céu tão próximo e ao mesmo tempo tão... impossível?
Aqueles velhos sonhos afloraram novamente. As grades de ferro cairam e laços mostraram-se no mesmo instante. Como lutar contra tudo isso? Como lutar contra o pêndulo gigante e contra o maldito tic tac que ecoa sem parar?

Você deveriam sentir remorso em negar a liberdade!
Enquanto eu sinto pena - de todos; de vocês e de mim -, enquanto esse céu continua estendido acima das nossas cabeças mesquinhamente pensantes e tão vazias. E de longe alguém sente raiva por ter concedido tanto. Tanto que nem é percebido. Tanto que nem é desfrutado. Tanto...