quinta-feira, 3 de março de 2011

Nota térmica.

Gosto desse clima frio e de ficar com meias e pernas de fora. Ainda gosto de me refugiar no meu quarto quando estou bem com o mundo. Sinto saudade dos livros que me levavam a outros mundos e ainda mais saudade dos mundos que eu própria criava em minhas histórias. Gosto de como as coisas são belas no cinema. De como as cenas são pacatas, mas tão cheias de sentimento e significado. Gosto das roupas de frio europeias, dos cenários vazios e das personagens de romance tão sensíveis... Gosto de um bom cigarro. De observar sua fumaça esvaindo-se com o ar frio. E também aprecio a chuva pela janela embaçada... Adoro dormir enrolada nos cobertores, mantas e edredons que tem aquele cheirinho específico, com roupa de calor... – na madrugada sempre esfria mais e acabo recorrendo a mais roupas, mais cobertores ou simplesmente, deixo o ventinho gelado percorrer as cobertas enquanto me reviro de um lado pro outro. Gosto das meias coloridas, do café quentinho, do chá que queima a língua e das torradas caseiras. Gostaria de presenciar a neve, porém, como não me é possível fico a imaginar outras cenas de filmes... Casais de mãos dadas, brigas de bolas de neve, abraços, carinhos e olhares. O frio sempre acaba me trazendo uma nostalgia boa. Recordo outros invernos cheios de sensações agradáveis. As pessoas, a rotina, as roupas, os lugares, o perfume, a sensação térmica, o barulho dos ônibus na rua cheia de poças d’água... Sei que não passei por muitos lugares, mas me recordo dos poucos que visitei. Lembro-me de como cheirava o dia, da cor que tinha e do gosto das coisas... Um, bom café, um bom cigarro, um bom filme e um bom livro são ótimos amigos nas épocas frias. No mais, tenho ainda meu amor.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Em geral, as pessoas criam para si ilusões que durem a vida inteira.
Eternizam o amor. Juram a Deus o casamento eterno...
Quando eu era pequena, eu me deitava pra dormir e meus pensamentos me enlouqueciam. Eu imaginava a eternidade...e tanto no paraíso quanto no inferno, aquela eternidade ia passando pela minha cabeça, sem acabar nunca, como o tic tac do relógio... O barulho ficava ensurdecedor e eu chorava com medo de ser eterna.
Quando eu crio as minhas ilusões, eu espero que elas terminem em dado momento. Pra que eu possa lidar com a perda, sofrer com o vazio e aproveitar o novo que está por vir.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Como pode haver num ser tamanha insatisfação?
Fico sempre imaginando como poderia ser minha vida...
Se tivesse seguido outros passos. Como será no futuro. Como poderia ter sido o passado.
Daí acho que acabo esquecendo de viver, de fato.
Fico no "e se...".

sábado, 5 de fevereiro de 2011

é o seu jeito. é a minha falha, o meu tédio, meu remédio. é a grosseria desnecessária. minha mãe gritando, meu pai reclamando, sua face cansada. é a falta do cigarro, é a vontade da bebida é o sexo casual. é a ansiedade vindo à tona, o copo transbordando, e a mesma mesmice. a mesma mesmice. a mesma mesmice. é a corda enferrujaga, a garganta arranhada, a perna machucada e o ego inflamado. é a cachorra latindo, você traindo, eu sorrindo. é o sono pesado, o seu muito descaso, a rotina esgotada. é o descompasso geral, que ninguém reparou. é sua irritação me irritando, em vão. tudo em vão. tudo vazio. e então...cansei!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Quanto vale o teu amor?
O nosso deve valer uns quilômetros. E o da moça da esquina, alguns centímetros.
Você já esticou uma corda até o fim do teu amor?
Será que vai ao fim do mundo ou até a avenida?
E quanto a abrir mão de segurar essa corda?
Quanto você ama? Quanto o amor vale? Quanto tempo ele dura?
Você sabe, ele tortura.
Ele se agarra. Se desdobra. Escorre. Infiltra-se. Perturba. Preenche.
Isso porque ele é tudo. Você é todo ele, encharcado por ele.
A verdade é que ele te faz sangrar. E você reluta. E esconde. E finge.
Ele di-la-ce-ra.
Fere o ego, o seu e o alheio.
Mas você tolera. Abaixa a cabeça e se contorce. Mas tolera.
Porque você adora sofrer.


"Amor só é bom se doer" - e todo amor, sem excessão, dói demais.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

a sensação de estar jogada em mar aberto não lhe conforta?

estava revendo velhas fotografias.
sabe, juntando o hoje com o passado e refletindo tais espelhos.
acho que estou envelhecendo.
aqueles óculos escuros, as roupas, aquelas unhas vermelhas, o cabelo meio mal arrumado...
nada disso me pertence muito mais. exceto em memórias.
antes era até mais fácil cometer erros. não que eu não os cometa até hoje,
mas o peso do tempo acumulado se abateu,
e é difícil caminhar descalça, a Deus dará.
foi aí que me joguei no mar, gelado, de roupa e sapatos.
fiquei à deriva. observando o passar dos dias, das pessoas,
o moinho girar.
apenas observando...



ela tinha tanta arte...
que eu parei para observar.
e transbordei.

um brinde pelo passado,
pelas palavras quase não ditas.
mas não sou dessas aí.